07 ago

Pesquisadoras de demência fazem descoberta importante

O Women’s Brain Project

O Women’s Brain Project (Projeto Cérebro das Mulheres, em português) é um projeto criado para estudar a suscetibilidade feminina à demência.

O projeto foi fundado por:

  • Antonella Santuccione-Chadha – médica especialista em Alzheimer
  • Maria Teresa Ferretti –  biomédica especializada em Alzheimer
  • Annemarie Schumacher – psicóloga
  • Gautam Maitra – química

O projeto foi fundado em 2016 e publicou, recentemente, um relatório que analisa as pesquisas de Alzheimer na última década. Depois da revisão de todos os dados já existentes, as pesquisadoras pediram para que os resultados começassem a ser divididos por sexo.

Atualmente, 50 milhões de pessoas – entre homens e mulheres – têm demência. Esse diagnóstico refere-se a doenças que afetam a memória e o processamento do cérebro. Dentre essas condições está o mal de Alzheimer.

De acordo com o que foi expressado por pesquisadores, os números tendem a aumentar. Estima-se que os casos de demência chegarão a 75 milhões em 2030, e 131,5 milhões em 2050. Sendo que a maioria dos afetados serão mulheres.

Os países que já fizeram a divisão

No Brasil, 1,2 milhões de pessoas têm Alzheimer. O país ainda não dividiu os casos de demência por gênero, entretanto, alguns países já fizeram esse estudo. Eles apresentaram os seguintes resultados:

  • Austrália – dois terços dos pacientes com demência são mulheres. É a maior causa de morte de pessoas do sexo feminino;
  • Estados Unidos – as mulheres também representam dois terços das pessoas. Atualmente, uma americana idosa, por exemplo, tem mais chance de sofrer com Alzheimer do que câncer de mama. ;
  • Inglaterra – assim com a Austrália, apontou que a demência é a maior causa de morte entre as mulheres, entretanto, o câncer de mama é a maior causa na faixa etária entre 35 e 49 anos.

Por que as mulheres são as mais afetadas?

Pessoas jovens só são afetadas pela demência em casos raros, geralmente por um problema genético. Ou seja, o fator idade é um grande fator de risco de demência. Nos dias de hoje, a expectativa de vida feminina supera a masculina e, portanto, elas estão em um grupo de risco maior.

Além disso, doenças cardíacas e o hábito de fumar são situações que podem causar a demência. Problemas do coração e o fumo são recorrentes mais em homens, porém as campanhas de saúde estão diminuindo o número de cardíacos e o de fumantes. Sendo assim, os homens eliminam mais esse risco de sofrer com doenças da memória.

Por outro lado, as situações que mais colocam as mulheres em risco – depressão, menopausa cirúrgica e alguns problemas durante a gestação –  não estão reduzindo seus índices.

Além disso, o fato de cuidar de outras pessoas também aumenta o risco de desenvolver doenças como o Alzheimer e a maioria das cuidadoras são mulheres. O Reino Unido revelou que dentre os cuidadores que cuidam de conhecidos – e, por isso, não recebem salário – as mulheres representam de 60% a 70%.

A doença também avança mais em mulheres

Outro fato preocupante é o de que a doença avança mais rapidamente no público feminino. No momento, existem duas teorias para justificar esse fato:

  1. Quando o hormônio do estrogênio acaba, ele pode deixar o cérebro feminino desprotegido e, assim, a doença consegue se desenvolver sem empecilhos;
  2. Como as mulheres se saem melhor nos testes iniciais, o diagnóstico delas é mais lento, portanto, parece que a doença debilita a pessoa mais rapidamente.

Outras dificuldades

As pesquisas para descobrir um tratamento, a melhor forma de prevenção e a cura para a demência estão longe de obter resultados.

Muitos estudos das últimas décadas chegaram à conclusões, porém nada que sugerisse que a ciência estivesse a ponto de controlar essas doenças. A verdade é que a maioria dos testes fracassaram.

Um dos fatores que mais justificam esse fato é a falta de recursos. Essas doenças recebem muito menos financiamento do que doenças como o câncer, por exemplo. Além disso, quando um grupo é identificado como o que mais sofre com uma condição, esse grupo é utilizado para o desenvolvimento das pesquisas. Entretanto, o número de homens que participam da pesquisa é igual ao número de mulheres, mesmo que elas sejam as principais vítimas.

Fonte

 

 

 

 

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