Uma vida repleta de desafios na saúde. Essa sou eu, Talita Lombardi.

O que mais posso fazer?

Escrever esse texto será doloroso e ao mesmo tempo, um alívio… Quero falar um pouco do que é viver doente, não que eu me ache assim, ou minha família enxergue… muito menos quem me segue nas redes sociais, blogs etc… mas eu preciso falar… explicar um pouco do que está acontecendo e pode ser que esteja acontecendo com alguém do meu meio… é aquela incerteza se vou viver o suficiente… mas suficiente para quê?

Não vou contar cada detalhe, mas vou tentar expressar os sentimentos vividos por uma jornada não de trabalho, mas de vida, de saúde…

Bom, vamos começar?

Minha primeira experiência de quase morte foi aos 12-13 anos, quando fui diagnosticada com a tal da poliradiculuneurite… nome grande né? Também achei, na época para saber se eu tinha isso mesmo, foi preciso tirar um líquido da minha coluna com uma agulha bem grande… e doeu… quem estava comigo foi minha avó  Marlene (que Papai do Céu a tenha) e que quase chorou comigo, mas ela era forte… uma das mulheres mais fortes que conheci nessa vida. Calada, bonita, enigmática…) mas ela tava lá… segurando a minha mão, enquanto o “moço” enfiava a agulha na minha coluna… e eu não podia mexer, eu só podia uma coisa: gritar e eu gritei… parei o hospital com aquela dor… eu senti e ainda me lembro da sensação de ser invadida por uma agulha grande e que me deixou completamente fora de mim, doeu e doeu mais… vovó segurava minha mão enquanto eu chorava… ela linda falava que tudo aquilo logo iria passar. Hoje tenho 33 anos, mas eu me lembro até agora do meu desespero… do meu medo, pois na noite anterior o médico usou as seguintes palavras: “se ela não se internar amanhã, ela vai morrer”. Oi, como assim? Eu não quero morrer, nem nunca quis, tive sorte do meu avô Barbosa poder custear o tratamento… porque foi caro, muito caro… e como eu tenho sorte, né? Pois estou aqui viva contando para vocês. A doença foi mesmo aquela que o “Doutor” suspeitou e ele, só queria o meu melhor… não era justo eu morrer… assim era minha ideia… e para minha família e eu vivi… vivi mesmo e me sinto orgulhosa por não ter perdido o ano na escola, mesmo com 3 meses afastada… Vamos compartilhar duas lembranças antes do médico me diagnosticar?!

  • Estava indo com minha irmã para o colégio, íamos andando porque era bem pertinho… até que vimos uma catadora de lixo e ela nos parou e disse: “essa menina está muito doente cuide dela.” Seguimos andando;
  • Em um dia qualquer, fui para o colégio e não conseguia subir a escada da escola, que dava na sala que eu estudava… mas até aí tudo bem, minha irmã me levava… até que um dia eu caí na sala de aula e não consegui levantar.

Sim, eu estava doente e morrendo de vergonha… porque aprendemos que doença é coisa de pessoas fracas… e eu nem era, mas eu tava doente.

Depois da superação a única recomendação médica era: “você não pode pegar nem uma gripe por um ano…porque se a “Poli” voltar, será fatal. Forte como sou, não gripei e vivi… intensamente! Deixei pra lá tudo e fui viver minha vida. Aos 21 anos já era supervisora e aos 24 gerente geral… já me sentia invencível…E eu “era-sou”assim…

Aos 27 resolvi largar tudo para curtir um intercâmbio na fria Chicago (pela segunda vez), só que resolvi que precisava mais do que 20 dias para aprender inglês e fui com meu ex noivo, viver por lá para tirar umas férias prolongadas e ao mesmo tempo descansar…

Mas comecei a descansar de mais. Me lembro como se fosse hoje a minha vontade de ir para a Disney, do nada… já estava debilitada, mas eu queria ir nos parques e vi uma oportunidade “last time”de ir para Orlando… mesmo Ozias (meu ex noivo) contrariado, fomos… uma das melhores viagens da minha vida… fui nas montanhas russas… no Harry Potter e tudo que eu tinha direito… o corpo cansado não me parava, parecia um “last minute” só que dessa vez do meu corpo.

De volta a Chicago, faltei a aula e só fui no bar com a turma para comemorar o Sant Patrick’s Day… Mas não bebi, não fiz nada além de tentar ficar acordada.

“Você está perdendo sangue, mas se eu fosse você, esperaria voltar para o Brasil e identificava o problema”, disse a primeira médica no primeiro hospital que fomos “visitar” para saber o que estava acontecendo comigo. A minha vontade era de ficar em casa, mas Ozias não queria isso, ele queria saber se eu estava doente e no segundo hospital que fomos, eles me internaram. Mesmo desconfiados, eles me internaram. Ozias, foi dormir em algum canto do hospital (porque lá fora não tem isso do paciente ficar com o acompanhante), mas essa foi minha “sorte”, ele não precisou ver o que eu passei. Em um simples “xixi”o meu mundo virou de cabeça para baixo… a pressão foi para menos de 6 e eu quase parti (pela segunda vez)… recebi uma pulseira que não combinava com meu look que dizia: “fall risck”… A partir desse momento, todos os meus movimentos foram monitorados.

“Vamos dar uma volta?” disse o cirurgião para mim no outro dia. Eu ainda estava assustada, pois quando fizeram a endoscopia eu vi um olho na

Talita e Ajey Maker

Talita e Ajey Maker

minha barriga… eu vi um olho… como assim eu tenho um olho na minha barriga?” Apaguei e quando acordei recebi o convite, que não pude negar.

No meio disso tudo, um outro médico, brasileiro, que viabilizou minha entrada no hospital disse para Ozias: “ela quase morreu ontem”, Ele, sem querer me estressar, ficou de costas e deixou diversas lágrimas correrem sem eu ter a consciência total do que estava acontecendo.

No passeio, de braços dados com o Dr. Indiando, que me levou até um monitor qualquer do hospital, ele me explicou que aquele olho na verdade, era um tumor… que ainda não sabiam se eram benigno ou maligno… vale explicar que temos 2 tipos de tumores: Se for benigno, ele continua se chamando de tumor, não afeta “tanto” sua vida… mas se for maligno, ele é um câncer.

Quando você vai ser operada, você tem que ficar com uma roupinha feia e mil pessoas vão ao seu encontro para explicar que você pode morrer…e eu só pensava “de novo”?. As veias já não existiam de forma clara e foi precisa uma periodoral (aquela que grávida), para eu apagar…e apaguei. Minha família no Brasil e Ozias precisou ser o responsável se eu morresse… Aff, essa tal de morte gosta de mim né? Mas ela não é mais forte do que eu…

Lembro que acordei em um lugar frio, nua e com uma vontade: de vomitar. As enfermeiras vieram com um potinho que eu nem conseguia enxergar… até que meu salvador Indiano me abraçou e disse “vomita em mim” ( tudo em inglês né gentxe?). E mesmo sem ser fluente na língua eu compreendia tudo.

Tenho duas lembranças pós cirurgia que foram muito fortes:

  • Incêndio. Aquele alarme não parava de tocar. A movimentação era louca dentro do hospital. As enfermeiras vinham e explicavam que todo mundo da UTI seria transfeirdo primeiro… mas eu continuava lá… Eu não conseguia me mexer, pois eu estava completamente dopata… era um consciente inconsciente… pq eu sabia que algo estava acontecendo… mas eu não poderia sair correndo.. eu tinha pelo menos 20 pontos na barriga e aquilo tudo foi um teste do alarme para os funcionários.
  • Dias depois da cirurgia, não sei o motivo, minha voz estava fininha… logo eu com esse vozerão de Ivete Sangalo… e um médico chegou para mim e disse: “aproveitamos a cirurgia para mudar sua voz.” rimos muito e ele explicou que a limitação pós cirúrgica afetava meu corpo todo, até meu “vozerão.

Foi câncer. Aos 27 anos. GIST pediátrico, um dos mais raros dos Estados Unidos e sem muitos estudos no Brasil.

Voltei pra casa e comecei a ser acompanhada por uma fada-médica chamada Dalva.

Processar o que tinha acontecido comigo não foi uma tarefa fácil. Eu só tinha medo de precisar fazer uma químio…e para minha sorte ou azar, não existia nem um medicamento para matar as “células” danosas. O jeito era acompanhar com exames periódicos… O que me deu certeza que eu não teria mais nada. Essa certeza era tão forte como 1 e 1 são dois.. era e é algo inexplicável… e Graças a Deus depois disso só alguns sustos.

De volta a ativa, me joguei no mundo de tecnologia…Mesmo com pouco tempo de operada, resolvi que Ozias não precisava mais viver com uma pessoa “doente” e terminei o noivado com muita dor e ao mesmo tempo, com muita certeza no coração.  Foi difícil, mas segui,, pq eu não poderia viver como uma pessoa que teve câncer, mas eu preferi viver (e vivo), como uma pessoa de superação.

Fazer exames de rotina sempre me deixam bem fora da “rotina”, me estressam pois sempre tem umas “coisinhas” erradas. O que eu posso fazer? Eu choro, na hora… antes e depois do diagnóstico. Lembra que não vou contar tudo? Então, vou pular até chegar hoje, nos meus 33 anos.

Como também blogueira, conheci o Brasil inteiro. Palestrei em tantos lugares, conheci tanta gente legal… Mas eu tava sentido algo diferente… o coração tava errado… tava rolando algo que eu não conhecia no meu corpo. Eu até brinquei com meu namorado e fiz a seguinte pergunta: “como é viver sem dor?” Lucas, respondeu que ele não sabia o que era viver com dor.

Mais uma vez estou sendo testada que meus problemas de estômago voltaram, não como um câncer, mas uma úlcerinha (fofo isso né?), mas se eu precisar operar não tem muito o que tirar, pois eu já tirei um pedaço naquela cirurgia em Chicago… e ao mesmo tempo, descobrimos um probleminha no coração. “Aff”, eu pensei e penso… logo no coração.

Sim amigas e amigos, to com um coração cheio de vontade de viver, mas descompassado… com um problema de bater rápido de mais mesmo estando em casa vendo tv… ele resolveu pedir atenção… E enquanto eu tento curar o estômago, estou tentando estabilizar minhas batidas com uma doença chamada disritmia ( e o médio disse, pode ser fulminante). Muitos amigos disseram que tem e é bom ter pessoas que podemos ter a base… mas no meu caso, no meu histórico… é um “pouquinho” mais delicado. Quase morrer várias vezes nos faz repensar.

Dentre remédios, família apoiando, Lucas ao meu lado eu te digo: Tô morrendo de medo. Não podemos abrir o coração e tirar um “pedacinho ruim”, tenho que aprender a controlar minhas emoções… sabe qual o maior problema? As pessoas olham para mim arrumada, maquiada e “linda”… essa imagem não passa algo de alguém com uma doença… pois ninguém pode ver ou sentir, só eu.. então não importa o quanto você explique que ninguém consegue “ver”, se eu não me fizer de “coitada”…

Eu sou Talita Lombardi, 33 anos. Não sei por quanto tempo vou viver, espero que o tempo que Papai do Céu queira, Mas tô aqui, escrevendo para vocês… só para compartilhar como a vida não é uma foto linda no instagram.. até porque quem me segue sabe que eu falo a verdade… mas como muita gente ficou preocupa o que eu tenho eu decidi abrir uma parte das minhas lutas.

Não penso em desistir, mas também não penso em ser contra a vontade divina. Eu quero ficar por aqui o tanto de tempo que eu puder somar algo na vida da minha família e das pessoas… Eu quero ser quem eu sou com consciência e amor… Não quero ninguém com pena de mim, quero pessoas vibrando por um propósito: de amar o que faz e seguir nessa história.

Eu amo minha vida, minha família, meus amigos e meu namorado. Até quando? Não posso responder, mas até meu último suspiro vou ser a Menina Executiva que adora realizar, amar, criar e viver.

Hoje, eu agradeço, poder viver, compartilhar e sentir tudo que vivo! O amor nos eleva a algo muito maior que possamos compreender e é por ele que vivo, é por ele que estou aqui contando minha história para vocês… contra minha assessoria de imprensa, minha família e um monte de “gente” que me pediu para não falar sobre isso, mas eu não poderia negar os desafios que vivo, além daqueles do nosso dia a dia no trabalho. Ser uma Menina Executiva é nunca esquecer que estamos aqui para realizar nossos sonhos, mesmo no meio de tantas coisas que acontecem em nossas vidas, mesmo com tantas coisas que aconteceram e acontecem na MINHA VIDA.

Sem MiMiMi, só compartilhando um pouco como eu aprendi a ser alguém… como eu decidi viver cada minuto dessa vida, que são tão preciosos! Que são tão únicos… eu penso em uma coisa em primeiro lugar todo dia quando acordo: “hoje é meu último dia”.

Um beijo.

Talita

Anúncios

2 comentários sobre “Uma vida repleta de desafios na saúde. Essa sou eu, Talita Lombardi.

  1. Pingback: Carta sobre o amor um pedido e desculpas |

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s